Os melhores filmes de terror dos anos 2000, a década mais estranha do gênero
A década de 2000 é a mais estranha da história do gênero. Foi quando o terror perdeu o respeito da crítica, ganhou muito dinheiro, e produziu quase todos os vícios que o cinema de hoje passou os últimos quinze anos tentando desfazer. Falar dos melhores filmes de terror dos anos 2000 é falar de um período que acertou por acidente e errou com método.
Foram três movimentos ao mesmo tempo: a onda japonesa e seus refilmes americanos, o terror de tortura, e o found footage. Um deles envelheceu bem. Os outros dois, nem tanto.
Os essenciais da década
- Deixa Ela Entrar (2008). Sueco. Um menino de doze anos que apanha na escola faz amizade com a vizinha nova, que é vampira e nunca envelheceu. É o melhor filme de vampiro deste século e um dos melhores filmes sobre infância já feitos.
- O Labirinto do Fauno (2006), de Guillermo del Toro. Espanha franquista vista por uma menina que inventa um mundo para aguentar o que está acontecendo no outro. Fantasia sombria com a violência real do lado de fora.
- O Orfanato (2007). Também espanhol, produzido por del Toro. Casa assombrada clássica com um desfecho que troca susto por luto. Chora mais do que grita.
- Extermínio (2002), de Danny Boyle. Reinventou o zumbi ao fazer o morto correr. Filmado em vídeo digital barato, o que envelheceu virou estética.
- REC (2007). Espanhol, found footage, um prédio em quarentena, setenta e cinco minutos. O último plano é dos mais assustadores já filmados.
- Os Outros (2001). Nicole Kidman, uma casa em Jersey, dois filhos que não podem ver a luz. Zero sangue e um final que reescreve o filme inteiro.
A onda japonesa e os refilmes
O J-horror dominou a primeira metade da década e criou uma imagem que virou clichê mundial: a mulher de cabelo preto sobre o rosto. Vale ver os originais antes dos refilmes.
- O Chamado (2002), de Gore Verbinski. O caso raro em que o refilme americano é tão bom quanto o japonês. A fotografia esverdeada definiu o visual da década inteira.
- Ju-on: O Grito (2002) e o refilme O Grito (2004). O original é mais barato e mais assustador.
- Água Negra (2002), do mesmo diretor de Ringu. O mais triste dos três, e o menos visto.
O terror de tortura, que envelheceu mal
Jogos Mortais (2004) e O Albergue (2005) definiram um subgênero inteiro e renderam franquias longas. O primeiro Jogos Mortais é um thriller engenhoso e barato, feito em dezoito dias, e ainda funciona. O que veio depois transformou a ideia em contagem de mutilação, e é aí que a década perdeu o rumo.
Vale registrar sem eufemismo: boa parte do que se produziu nessa linha entre 2005 e 2009 é ruim, e a nostalgia não conserta.
O found footage, que mudou a economia do gênero
Atividade Paranormal (2007) custou quinze mil dólares e faturou centenas de milhões. Isso reprogramou a indústria: descobriu-se que terror barato dá mais lucro percentual que qualquer outra coisa em Hollywood, e é por isso que o gênero segue sendo o mais livre para experimentar.
Cloverfield (2008) fez o mesmo truque com orçamento de blockbuster, e REC provou que dava para fazer melhor que os americanos com menos dinheiro.
Os que envelheceram melhor
Se a pergunta for o que continua bom hoje, a resposta é quase toda europeia: Deixa Ela Entrar, O Orfanato, O Labirinto do Fauno e REC. Entre os melhores filmes de terror dos anos 2000, os que sobreviveram foram os que usaram o gênero para falar de outra coisa, e não os que usaram o gênero como fim.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor filme de terror dos anos 2000?
Deixa Ela Entrar, se o critério for qualidade de cinema. O Chamado, se for impacto cultural.
Vale ver os originais japoneses ou os refilmes?
Os originais, em geral. A exceção é O Chamado, em que a versão americana de 2002 é tão boa quanto Ringu e mais fácil de encontrar.
Jogos Mortais ainda vale?
O primeiro vale, como thriller de baixo orçamento com boa ideia. A franquia inteira, não.