Por onde começar em Zelda: as opções que se defendem e o que elas custam
Começa com uma informação que muda o valor de tudo o que você vai ler sobre isso: a Nintendo nunca publicou uma recomendação de por onde começar em Zelda. Não existe declaração de Miyamoto, de Aonuma ou material oficial dizendo “jogue este primeiro”.
Qualquer guia que atribua uma recomendação à Nintendo está inventando. O que existe é consenso de imprensa especializada, e ele é razoavelmente convergente. Aqui estão as opções que se defendem, com o argumento contra cada uma, e o que elas custam no Brasil.
A resposta curta
Se você quer só o nome e seguir em frente: Breath of the Wild. É a escolha da maioria da imprensa, roda no Switch 1 e não exige conhecimento nenhum da série.
Se você quer gastar o mínimo possível: A Link to the Past, que está no plano básico do Nintendo Switch Online por R$ 109 por ano, junto com mais cinco Zeldas.
Agora a versão longa, que é onde as coisas ficam interessantes.
Breath of the Wild
Switch e Switch 2. R$ 329,90 na versão de Switch, R$ 389,90 na edição de Switch 2. Metacritic 97.
A favor: é o consenso da imprensa e o Zelda mais vendido de longe, com 34 milhões de cópias só no Switch. Não pede conhecimento prévio de nada. Ensina por exploração em vez de tutorial, e perdoa erro.
Contra, e esse ponto é sério: é o Zelda menos representativo da série. Quem começa por ele e depois volta para os clássicos encontra um jogo estruturalmente diferente, com masmorras fechadas, itens que destravam áreas e progressão linear. Você entra pela porta mais fácil e descobre que ela dá para outra casa.
Ocarina of Time, o remake de 2026
Switch 2, a partir de 5 de novembro de 2026. R$ 329,90.
A favor: é o coração da série. É nele que a linha do tempo se parte em três, e entender esse jogo é entender Zelda. O remake ataca exatamente o que afastava novatos do original: ganhou câmera moderna, botão de pulo, corrida, troca rápida de itens e registro de missões.
Contra: exige um Switch 2, o que é barreira real de custo no Brasil. E tem uma coisa que nenhum outro guia vai te dizer: ninguém jogou ainda. Até hoje não existe uma única análise publicada. Recomendar como porta de entrada neste momento é aposta, não avaliação.
Link’s Awakening, o remake de 2019
Switch. R$ 329,90. Metacritic 87.
Este é o argumento mais forte e o menos citado por aí.
A favor: é curto, tem a estrutura clássica de Zelda (masmorra, item novo, área nova) e não tem a fricção dos jogos antigos. É a ponte: dá o vocabulário da série sem cobrar a paciência que os originais cobram. Roda no Switch 1, então é a opção barata de quem não vai comprar console novo.
Contra: é a nota mais baixa da lista. A história é pequena e autocontida, sem Ganon, sem Hyrule, sem a Triforce como motor. Ensina a jogar Zelda, mas explica pouco da mitologia.
Echoes of Wisdom
Switch. R$ 329,90.
A favor: é o mais recente e um dos mais acessíveis mecanicamente. E tem o melhor gancho para quem chega de fora: a Zelda é a protagonista jogável, pela primeira vez num jogo principal em trinta e oito anos. Para quem nunca entendeu que Zelda não era o herói, é o jogo certo.
Contra: o sistema de ecos é uma mecânica atípica, que não se repete em nenhum outro jogo da série. Você aprende a jogar Echoes of Wisdom, não a jogar Zelda.
A Link to the Past, a opção barata
Nintendo Switch Online, plano básico. R$ 109 por ano. Metacritic 95.
Foi o mais votado numa enquete da Nintendo Life com mais de sete mil respostas, com 22% dos votos, à frente do próprio Ocarina of Time.
A favor: define o molde que a série seguiu por vinte anos. E o custo é imbatível: a assinatura básica traz seis jogos de Zelda pelo preço de menos de um terço de um jogo avulso.
Contra: é um jogo de 1991. Sem marcação de objetivo, sem mapa moderno, sem tutorial. Se você nunca jogou nada dos anos 90, vai sentir.
Uma recomendação que você vai ver por aí e deve ignorar
A Link Between Worlds, de 2013, tem Metacritic 91 e design excelente. Vários guias em português ainda o recomendam como porta de entrada.
Não dá para jogar. Ele é de Nintendo 3DS, não está no Switch, não está no Switch Online, e a loja do 3DS fechou as compras em 27 de março de 2023. A única forma legal hoje é achar um cartucho usado e um console antigo.
Recomendar esse jogo a um leitor brasileiro em 2026 é mandar ele atrás de uma coisa que não está à venda.
O que tem no Nintendo Switch Online
São onze jogos de Zelda, divididos entre dois planos. Preços do Brasil, que a Nintendo reduziu em abril de 2026.
| Plano | Preço ao ano | Jogos de Zelda |
|---|---|---|
| Básico | R$ 109 | The Legend of Zelda, Zelda II, A Link to the Past, Link’s Awakening DX, Oracle of Ages, Oracle of Seasons |
| Pacote Adicional | R$ 279 | Tudo acima, mais Ocarina of Time, Majora’s Mask, The Minish Cap e A Link to the Past & Four Swords |
| Pacote Adicional com Switch 2 | R$ 279 | Tudo acima, mais The Wind Waker na biblioteca de GameCube |
Um erro que circula bastante: os jogos de Game Boy Advance não estão no plano básico. Minish Cap exige o Pacote Adicional. Vários sites erram isso.
Preços consultados na eShop brasileira em setembro de 2026.
Os Zeldas que simplesmente não dá para jogar hoje
Essa lista quase ninguém publica, e ela é a mais útil de todas. Nenhum destes está no Switch, no Switch 2 ou em qualquer plano do Switch Online:
- Twilight Princess e Twilight Princess HD
- Four Swords Adventures
- Phantom Hourglass e Spirit Tracks
- A Link Between Worlds e Tri Force Heroes
- Ocarina of Time 3D e Majora’s Mask 3D
- The Wind Waker HD (o original de GameCube está no Switch Online, a versão HD não)
O motivo é o mesmo para todos: as lojas de Wii U e 3DS encerraram as compras em março de 2023. Quem comprou antes ainda baixa. Quem não comprou, não compra mais.
Existe rumor de um Twilight Princess para Switch 2, mas nada foi anunciado, nem no Direct dos 40 anos em setembro de 2026.
Perguntas frequentes
Precisa jogar na ordem para entender?
Não. Quase nenhum Zelda depende do anterior. A cronologia da série está explicada aqui, mas ela é contexto, não pré-requisito.
Dá para começar por Tears of the Kingdom?
Dá, mas ele é continuação direta de Breath of the Wild e parte do impacto se perde. Se for escolher um dos dois, comece pelo primeiro.
Preciso de Switch 2 para jogar Zelda?
Só para o remake de Ocarina of Time e para a biblioteca de GameCube. Todo o resto roda no Switch 1.
Qual é o Zelda mais bem avaliado?
Ocarina of Time, com Metacritic 99, que é recorde do Guinness. Vale saber que essa nota está sendo publicamente contestada desde agosto de 2026.