A ordem cronológica de Zelda: os três ramos da linha do tempo explicados

A ordem cronológica de Zelda: os três ramos da linha do tempo explicados

A linha do tempo de Zelda existe, é oficial, e é mais estranha do que quase todo mundo imagina. Ela se parte em três ramos, e um deles nasce de uma coisa que o jogador nunca vê acontecer: a derrota do herói.

Este guia traz a ordem completa como ela está hoje no material oficial da Nintendo, o que mudou desde a primeira versão, e o que a empresa se recusa a dizer.

De onde vem essa linha do tempo

Ela não é teoria de fã. Saiu de três lugares, nesta ordem:

  • Hyrule Historia (2011 no Japão, 2013 em inglês). O livro dos 25 anos, que publicou a primeira cronologia completa e apresentou o terceiro ramo sem aviso nenhum.
  • The Legend of Zelda Encyclopedia (2017 no Japão, 2018 em inglês). Revisou a cronologia e mudou a ordem de alguns jogos.
  • O site oficial da Nintendo, que é a fonte viva e mais atual. Foi lá que Echoes of Wisdom entrou na linha, em novembro de 2024.

Vale registrar uma frase do próprio Hyrule Historia, porque ela explica muita coisa: o livro diz que a cronologia “apenas reúne informações que se acredita serem verdadeiras neste momento”. Ou seja, a Nintendo já se protegeu contra mudanças futuras desde 2011. E usou essa brecha.

O tronco, antes da divisão

Quatro jogos, numa linha só, sem ramificação:

  1. Skyward Sword (2011, Wii)
  2. The Minish Cap (2004, Game Boy Advance)
  3. Four Swords (2002, Game Boy Advance)
  4. Ocarina of Time (1998, Nintendo 64)

A ordem é essa mesmo: Minish Cap vem antes de Four Swords, e não o contrário. Entre eles a Nintendo encaixa eventos sem jogo: o selamento do Reino Sagrado, a fundação de Hyrule e a Guerra Civil Hyruliana.

Por que a linha se parte em três

Tudo acontece no desfecho de Ocarina of Time, e a divisão não é de uma vez. São dois nós separados.

Primeiro nó: o resultado do duelo final. A linha se parte entre o herói perder para Ganondorf e o herói vencer. Em inglês, os rótulos oficiais da Nintendo são “The Hero is defeated” e “The Hero is Triumphant”.

Segundo nó: a viagem no tempo. Dentro do ramo vitorioso, Zelda devolve Link à infância com a Ocarina do Tempo. Isso cria duas realidades que existem ao mesmo tempo: a criança que volta e avisa a família real, e o mundo adulto que ficou sem herói porque ele simplesmente sumiu de lá.

Repare no detalhe que quase ninguém explica direito: o ramo do herói derrotado não vem da viagem no tempo. Ele vem de um game over. É a única ramificação da série construída em cima de um final que o jogador nunca vê no jogo.

Ramo da Criança

  1. Majora’s Mask (2000, Nintendo 64)
  2. Twilight Princess (2006, GameCube e Wii)
  3. Four Swords Adventures (2004, GameCube)

Ramo do Adulto

Começa com o evento que a Nintendo chama de dilúvio: Hyrule é inundada.

  1. The Wind Waker (2002, GameCube)
  2. Phantom Hourglass (2007, Nintendo DS)
  3. Spirit Tracks (2009, Nintendo DS), depois da fundação de um novo reino de Hyrule

Ramo do Herói Derrotado

Antes da lista, uma correção que vale para tudo o que você vai ler por aí: esse ramo não se chama oficialmente Downfall, Decline nem Fallen Hero. Esses três nomes são de fã. O rótulo que a Nintendo usa é literalmente “The Hero is defeated”, o herói é derrotado.

A sequência começa com a Guerra do Selamento:

  1. A Link to the Past (1991, Super Nintendo)
  2. Link’s Awakening (1993, Game Boy)
  3. Oracle of Ages e Oracle of Seasons (2001, Game Boy Color)
  4. A Link Between Worlds (2013, Nintendo 3DS)
  5. Tri Force Heroes (2015, Nintendo 3DS)
  6. Echoes of Wisdom (2024, Nintendo Switch)
  7. Declínio do Reino de Hyrule
  8. The Legend of Zelda (1986, Famicom Disk System)
  9. Zelda II: The Adventure of Link (1987, Famicom Disk System)

Onde entram Breath of the Wild e Tears of the Kingdom?

Em lugar nenhum. E isso é decisão, não esquecimento.

Na página oficial, os dois aparecem soltos, depois dos três ramos, sem nenhuma linha ligando a nada. Sem asterisco, sem nota de rodapé, sem explicação.

Eiji Aonuma, produtor da série, explicou no livro Creating a Champion, de 2018:

Percebemos que as pessoas estavam gostando de imaginar a história que emergia das imagens fragmentárias que fornecíamos. Se definíssemos uma linha do tempo restrita, haveria uma história definitiva, e isso eliminaria o espaço para a imaginação.

Sobre Tears of the Kingdom a situação é ainda mais seca: não existe uma única declaração oficial sobre posicionamento. Nem de Aonuma, nem do diretor Hidemaro Fujibayashi, nem em material promocional.

A teoria mais popular é que os três ramos se reencontram em algum ponto antes de Breath of the Wild. Ela nunca foi confirmada. Se você achar um site afirmando em qual ramo BotW acontece, é chute apresentado como fato.

O que já mudou desde 2011

Duas mudanças importantes, e a maioria dos guias em português ainda reproduz a versão velha:

  • A ordem dos jogos Oracle inverteu. No Hyrule Historia de 2011, Oracle of Ages e Oracle of Seasons vinham antes de Link’s Awakening. Desde a Encyclopedia de 2018, Link’s Awakening vem antes. A ordem correta hoje é a nova.
  • Echoes of Wisdom foi encaixado em novembro de 2024, no ramo do herói derrotado, depois de Tri Force Heroes e antes do declínio de Hyrule.

E tem uma ironia aí que vale notar: Echoes of Wisdom é o único jogo principal da série em que a Zelda é jogável, e a Nintendo o encaixou num ramo definido, enquanto mantém os dois maiores sucessos da franquia fora de qualquer ramo.

Os jogos que não estão na linha do tempo

São quatro motivos diferentes, e misturar os quatro é o erro mais comum:

  • Spin-offs: os Hyrule Warriors, Link’s Crossbow Training, Cadence of Hyrule, a trilogia do Tingle. Não são entradas da série principal.
  • Licenciados a terceiros: os três jogos de CD-i dos anos 90. A Nintendo licenciou os personagens para a Philips depois que o projeto de CD-ROM morreu. Ela não desenvolveu nem publicou nada disso.
  • Remakes, remasters e ports: Ocarina of Time 3D, Wind Waker HD, Skyward Sword HD, o Link’s Awakening de 2019, as edições de Switch 2 e o novo remake de Ocarina. Ocupam a mesma posição do original.
  • Decisão editorial: Breath of the Wild e Tears of the Kingdom. É a única categoria em que ficar de fora é escolha narrativa, não classificação.

Um caso merece nota. Hyrule Warriors: Age of Imprisonment, de novembro de 2025, é o único spin-off que a Nintendo chamou publicamente de “canônico”, com essa palavra, em comunicado oficial. Mesmo assim, ele não foi colocado na cronologia.

Perguntas frequentes

Precisa jogar na ordem cronológica?

Não. Praticamente nenhum jogo da série exige conhecimento do anterior. A cronologia é contexto, não pré-requisito.

Link e Zelda são as mesmas pessoas em todos os jogos?

Não. São encarnações diferentes ao longo de séculos. Alguns jogos compartilham o mesmo Link, como Ocarina of Time e Majora’s Mask, mas a regra é que cada era tem o seu.

Zelda é o herói ou a princesa?

A princesa. O herói é o Link. É o equívoco mais antigo da série, e ele só deixou de fazer sentido em 2024, quando a Zelda finalmente virou jogável em Echoes of Wisdom, trinta e oito anos depois da estreia.

A Nintendo planejou essa linha do tempo desde 1986?

Não, e ela nunca afirmou isso. Aonuma já disse que os jogos foram feitos priorizando mecânica em vez de história. A cronologia mudou de posição publicamente pelo menos seis vezes.

Quantos jogos de Zelda existem?

Depende do critério. São 21 jogos principais originais, mais uma dúzia de remakes e ports e outra dúzia de spin-offs. Entre 40 e 45 títulos distintos no total.

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