Guerras Secretas da Marvel: a batalha final de Vingadores: Ultimato

Guerras Secretas: a saga por trás do futuro da Marvel no cinema

Toda vez que a Marvel anuncia um filme grande, a internet enche de teoria apresentada com cara de vazamento. Aqui a gente vai fazer diferente, e o texto é dividido em três camadas: o que a Marvel confirmou, o que os quadrinhos estabelecem e o que é inferência nossa. Cada bloco vem marcado. Você sabe o tempo todo onde está pisando.

Camada 1: o que a Marvel confirmou

Pouca coisa, e é honesto dizer isso.

  • Vingadores: Doutor Destino estreia em 17 de dezembro de 2026, com direção de Anthony e Joe Russo.
  • A sinopse oficial fala em heróis de três universos distintos em rota de colisão diante de uma ameaça existencial.
  • Avengers: Secret Wars está anunciado como o filme seguinte. Título brasileiro e data ainda não saíram.
  • Robert Downey Jr. volta como Victor von Doom.

É isso. Todo o resto que você está lendo por aí, inclusive o que vem a seguir neste texto, é leitura de quadrinho ou dedução.

Camada 2: Guerras Secretas de 1984, a original

Escrita por Jim Shooter, com arte de Mike Zeck e Bob Layton, em doze edições.

A premissa é simples ao ponto do infantil, e funciona por isso. Uma entidade onipotente chamada Beyonder sequestra os principais heróis e vilões da Terra, joga todos num planeta montado com pedaços de vários mundos, o Mundo de Batalha, e manda lutar. Quem vencer ganha o que desejar.

O que interessa aqui é o que o Doutor Destino faz. Enquanto todo mundo briga, ele resolve o problema de outro jeito: rouba o poder do Beyonder e vira, por um tempo, o ser mais poderoso do universo. Depois perde.

Esse é o gesto que define o personagem em qualquer versão. Destino não quer vencer a competição. Ele quer virar o dono da competição.

Curiosidade que quase ninguém liga a esta saga: foi em Guerras Secretas que o Homem-Aranha ganhou o uniforme preto, que depois se revelaria o simbionte que dá origem ao Venom.

Camada 2: Guerras Secretas de 2015, a que importa para o cinema

Escrita por Jonathan Hickman, com arte de Esad Ribić. É o encerramento de anos de trabalho dele em Quarteto Fantástico e Novos Vingadores, e é aqui que está o mapa que o cinema parece estar seguindo.

As incursões

Dois universos colidem. Quando isso acontece, os dois morrem, a menos que alguém destrua a Terra do outro lado antes do choque. A saga transforma isso numa pergunta moral insuportável: você mata um planeta inteiro de inocentes para salvar o seu?

Quem provoca as incursões são os Beyonders, no plural, seres que criaram o multiverso e decidiram desmontá-lo.

Destino vira Deus

Com o multiverso em colapso, o Doutor Destino faz de novo o que fez em 1984, mas em escala maior. Ele confronta os Beyonders, toma o poder deles e usa o que sobrou da realidade para montar um planeta remendado, dividido em baronatos, cada um com um pedaço de um universo morto.

E aí vem a parte que faz a saga ser boa. Destino não se apresenta como tirano. Ele se apresenta como salvador, e tecnicamente é: sem ele, não teria sobrado nada. O mundo o chama de Deus, ele aceita o título, e a série passa centenas de páginas perguntando se um salvador que apaga a memória de todo mundo ainda é salvador.

A fonte de energia que sustenta o esquema é o Homem Molécula, um personagem que existe simultaneamente em todos os universos.

Camada 3: o que dá para inferir, e é inferência

Daqui em diante nada é confirmado. É leitura nossa, e pode dar errado.

O filme de dezembro é o ponto em que o cinema encosta na saga dos quadrinhos. Imagem: Marvel Studios/Disney

O cinema já plantou as incursões. Elas aparecem em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, e as regras do multiverso foram estabelecidas em Loki. Isso não é teoria, é o que está na tela. O que a gente deduz é que essas peças não foram colocadas por acaso.

Se o roteiro seguir Hickman, o Doutor Destino do filme de dezembro não é o vilão da vez. Ele é o sujeito que aparece quando tudo já está desmoronando e oferece a única saída disponível, ao preço de todo mundo se ajoelhar. Isso explicaria por que a Marvel gastou o retorno de Robert Downey Jr. num papel de vilão: não é um vilão, é um salvador de quem ninguém gosta.

Explicaria também por que Secret Wars vem logo depois. Doutor Destino seria o colapso, e Guerras Secretas seria o mundo remendado que nasce dele.

O que ninguém pode afirmar hoje

  • Se os Beyonders aparecem. A Marvel nunca os citou.
  • Se o Homem Molécula entra na história.
  • Se Destino chega a assumir o poder no primeiro filme ou só no segundo.
  • Como o retorno dos X-Men da era Fox se encaixa nas regras estabelecidas.

Quem estiver publicando resposta para qualquer um desses quatro pontos está chutando. Pode até acertar, mas está chutando.

Por onde ler os quadrinhos

Se você quiser chegar em dezembro com a base pronta, a ordem que funciona é esta:

  1. Guerras Secretas (1984), para entender o gesto do Destino. Leitura leve e datada, mas curta.
  2. Novos Vingadores, de Hickman, onde as incursões começam e o Iluminati precisa decidir o indecidível.
  3. Guerras Secretas (2015), o desfecho.

Se o tempo for curto, pule o item 1. O filme quase certamente vai se apoiar no item 3.

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