Os 12 melhores quadrinhos de todos os tempos
Ranquear os melhores quadrinhos de todos os tempos junta coisas que quase não se falam: super-herói americano, autobiografia iraniana, mangá japonês e história em quadrinhos brasileira. É proposital. O critério aqui não é gênero — é o que cada obra faz que só o quadrinho consegue fazer.
O top 5, explicado
1. Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons
Doze capítulos que perguntam o que aconteceria se pessoas fantasiadas existissem de verdade, e respondem sem nenhuma complacência. É também a obra mais formalmente construída da lista: a grade de nove quadros, as simetrias do quinto capítulo, os textos entre os capítulos. Nada ali é acidental.
2. Maus, de Art Spiegelman
O autor entrevista o próprio pai, sobrevivente de Auschwitz, e desenha judeus como ratos e nazistas como gatos. Ganhou o Pulitzer — o único quadrinho a conseguir isso — e é tão sobre o Holocausto quanto sobre a relação impossível entre um filho e um pai traumatizado.
3. Sandman, de Neil Gaiman
Setenta e cinco edições sobre o Senhor dos Sonhos, atravessando mitologia, história e literatura. Quase não tem super-herói, apesar de ter nascido dentro da DC. É a obra que provou que o formato aguentava ambição literária.
4. V de Vingança, de Alan Moore e David Lloyd
Um anarquista mascarado contra um Reino Unido fascista. Escrito nos anos 1980 como reação direta ao governo da época, envelheceu de um jeito desconfortável — a máscara virou símbolo de protesto no mundo real, o que o próprio Moore achou estranho.
5. Persépolis, de Marjane Satrapi
A infância e a adolescência da autora durante e depois da Revolução Iraniana, desenhada em preto e branco com traço quase infantil. A simplicidade do desenho contra a dureza do que é contado é exatamente o que faz funcionar.
Os melhores quadrinhos de todos os tempos: a lista completa
| # | Obra | Autoria |
|---|---|---|
| 1 | Watchmen | Alan Moore e Dave Gibbons |
| 2 | Maus | Art Spiegelman |
| 3 | Sandman | Neil Gaiman |
| 4 | V de Vingança | Alan Moore e David Lloyd |
| 5 | Persépolis | Marjane Satrapi |
| 6 | Batman: Ano Um | Frank Miller e David Mazzucchelli |
| 7 | Akira | Katsuhiro Otomo |
| 8 | Monstros | Barry Windsor-Smith |
| 9 | Retalhos | Craig Thompson |
| 10 | Daytripper | Fábio Moon e Gabriel Bá |
| 11 | Death Note | Tsugumi Ohba e Takeshi Obata |
| 12 | From Hell | Alan Moore e Eddie Campbell |
O brasileiro da lista
Daytripper, de Fábio Moon e Gabriel Bá, está em décimo e é a melhor coisa que o quadrinho brasileiro já exportou. Dez capítulos, cada um terminando com a morte do mesmo personagem em uma idade diferente — e cada um sendo sobre o que a vida dele valia até ali. Ganhou o Eisner, o principal prêmio do meio, e é lido no mundo inteiro.
O que não entrou, e por quê
As grandes fases de super-herói mensal. São excelentes — o Demolidor do Frank Miller, o Homem-Aranha do Bendis — mas funcionam como temporadas, não como obras fechadas, e isso muda o critério. Indicamos as melhores nos guias de Marvel e DC.
Quase todo o mangá. Só entraram dois, porque comparar uma obra de 6 volumes com uma de 100 é comparar coisas diferentes. O caminho de entrada está em por onde começar a ler mangá.
Onde encontrar no Brasil
Todas as obras da lista têm edição em português. Watchmen, Sandman, V de Vingança e Ano Um saem pela Panini; Maus e Persépolis por editoras de livro comum, o que significa que você acha em qualquer livraria grande. Daytripper costuma ter edição nacional em capa dura.
Perguntas frequentes
Preciso gostar de super-herói para ler esta lista?
Não. Sete dos doze títulos não têm super-herói nenhum.
Por onde começar?
Persépolis ou Maus, se você nunca leu quadrinho na vida — os dois são autobiografias e não pedem nenhum vocabulário do meio. Watchmen, se você quer entender por que o formato é levado a sério.
Quanto custa?
Um encadernado novo fica entre R$ 60 e R$ 150. Sebos derrubam bastante esse valor, e várias dessas obras são reimpressas há décadas.
Datas, títulos e disponibilidade podem ser conferidos em o catálogo da Panini no Brasil. Última verificação: 26 de agosto de 2026.